A volta à natureza da ararinha-azul (Cyanopsitta
spixii) pode ocorrer mais cedo do que se esperava. Três exemplares da
espécie, mantidos em cativeiro na Espanha e Alemanha, serão repatriados para o
Brasil no final do mês de fevereiro de 2013. Eles estão em quarentena e já passaram por todos os
exames exigidos pelo Ministério da Agricultura. Em maio, será feita a
repatriação de um novo grupo desses animais.
No dia 04/02/2013, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), coordenou a transferência de um casal de ararinhas – o macho Lampião, e a fêmea, Bonita – da Fundação Loro Parque, em Tenerife, na Espanha, para a sede da Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha. O objetivo de ações como essa, segundo a analista Camile Lugarini, que acompanhou os trabalhos, é aprimorar, ao máximo, o pareamento e melhorar os índices reprodutivos da população em em cativeiro.
As ararinhas foram trazidas da europa em um jato fretado especificamente para esse fim, o que garantiu o transporte separado de outros animais e com menos estresse. A viagem durou cerca de nove horas. Ao chegarem à ACTP, as aves foram colocadas diretamente na quarentena. “Elas não mostraram sinais de estresse, alimentaram-se durante o voo e passam bem”, informou Camile
Reintrodução à natureza
Com toda essa movimentação, o Cemave, que coordena
o Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação da Ararinha-Azul, torce para que
as aves se reproduzam logo e aumentem a população em cativeiro, criando
condições para que a reintrodução à natureza seja feita antes mesmo de 2017,
meta prevista inicialmete. “Essa possibilidade já vem sendo discutida nas
reuniões do comitê gestor do PAN”, disse João Luiz, chefe do Cemave.
A ararinha-azul é considerada extinta na natureza
desde 2000. Atualmente, há no mundo apenas 79 indivíduos, mantidos em programas
de cativeiro. A maioria encontra-se em mantenedores no exterior e somente cinco
compõem a população reprodutiva no Brasil. A história de uma ararinha
domesticada, descoberta nos EUA em 2002, quando ela já era considerada extinta
na natureza, inspirou o cineasta brasileiro Carlos Saldanha a fazer a animação
“Rio”, sucesso de bilheteria no ano passado
Plano Nacional
PAN da Ararinha-Azul foi instituído pelo ICMBio em
fevereiro do ano passado. Prevê uma série de medidas para aumentar a população
manejada em cativeiro e recuperar e conservar o habitat de ocorrência histórica
da espécie até 2017. Para isso, o projeto Ararinha na Natureza desenvolve ações
nas comunidades do município de Curaçá, na Bahia.
O grande desafio do plano é manejar a população em
cativeiro como uma população única, geneticamente viável e com crescimento
considerável de, no mínimo, seis indivíduos ao ano. A espécie possui baixos
índices reprodutivos. Os mantenedores que têm obtido melhores índices de
nascimento são a Al Wabra Wildlife Preservation, no Qatar, e a ACTP, na
Alemanha.
Site ICMBIO
http://www.icmbio.gov.br/portal/comunicacao/noticias/20-geral5/3671-reintroducao-a-natureza-da-ararinha-azul-pode-ocorrer-antes-de-2017.html

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